PB registra 3 feminicídios em outubro; número é 37,5% dos assassinatos de mulheres no mês

23/11/2020
— Foto: Foto: Editoria de Arte/G1
— Foto: Foto: Editoria de Arte/G1
 De janeiro a outubro de 2020, 73 mulheres foram mortas por crimes letais intencionais na Paraíba. Deste total, 29 casos estão sendo investigados como feminicídio. Apenas no mês de outubro, oito mulheres foram mortas e três casos são investigados como feminicídios, o que representa 37,5% do total de mortes violentas de mulheres no mês.
 
Em relação a outubro de 2019, os números totais diminuíram. No mesmo período do ano passado, 50% das mortes de mulheres foram feminicídios. Foram 12 mortes de mulheres, sendo seis homicídios dolosos e as outras seis foram motivadas por questões de gênero.
 
Feminicídio é o assassinato de uma mulher cometido devido ao fato de ela ser mulher ou em decorrência da violência doméstica. Foi inserido no Código Penal como uma qualificação do crime de homicídio em 2015 e é considerado crime hediondo.
 
Em relação ao assassinato de mulheres, o mês mais violento de 2020 foi o de janeiro, quando 11 mulheres foram mortas. Um caso está sendo investigado como feminicídio. Importante destacar que, no decorrer dos meses do ano, outro caso investigado como feminicídio foi adicionado no mês de janeiro, mas em junho ele foi descartado.
 
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Apesar disso, o mês de maio foi que mais registrou feminicídios, com cinco casos em investigação, representando 50% do total de mulheres assassinadas (10) no mês. Nas estatísticas divulgadas sobre o mês de maio, quatro casos estavam em investigação, isto é, um caso foi acrescentado nas investigações da Polícia Civil após o fechamento das estatísticas anteriores.
 
Proporcionalmente, abril foi o mês com maior número de feminicídios com relação aos casos de mulheres assassinadas. Do total de sete crimes violentos contra mulheres, 4 deles são investigados como feminicídio, o que representa um percentual de 57%. Os outros três casos são homicídios dolosos, que podem ter outras motivações.
 
Além disso, outro ponto a destacar é que depois do mês de de junho, quando o número de feminicídios sofreu uma queda de 5 para 1 caso, os números passaram a aumentar. Os dados seguem uma sequência de aumento de pelo menos um caso a cada mês, entre junho e setembro, mas diminuiu - um caso também - em outubro.
 
 
Feminicídios de janeiro a outubro de 2020 na Paraíba
Mês de maio apresentou maior número de casos
FeminicídiosJaneiroFevereiroMarçoAbrilMaioJunhoJulhoAgostoSetembroOutubro0123456
Junho
 Feminicídios: 1
Fonte: Seds
 
Relação de feminicídios e mulheres assassinadas em 2019 e 2020
Número de feminicídios diminuiu, mas o número de mortes de mulheres aumentou (janeiro a outubro)
Feminicídios (2019): 33Mulheres assassinadas (2019): 67Feminicídios (2020): 29Mulheres assassinadas (2020): 73
Mulheres assassinadas (2019)
67
Fonte: Seds
 

Viviane Alves Farias, 18 anos

 
Na noite de 19 de outubro, em Boqueirão, Arthur Lima Aires foi até a rua Amaro Antônio Barbosa, armado. Lá ele discutiu com o então atual namorado da ex-namorada dele, Viviane Alves Farias. De acordo com a Polícia Civil, Viviane tentou apartar a briga. Ela morreu com um tiro na cabeça.
 
Ela tinha terminado o relacionamento com Arthur há quatro meses.
 
Arthur foi preso suspeito de feminicídio. Segundo o delegado Ilamilto Simplício, as investigações estão em sigilo e o inquérito deve ser concluído ainda em novembro. O delegado também informou que apesar de ter alegado inocência - em depoimento, Arthur teria dito que o então namorado de Viviane é quem teria feito o disparo. As investigações apontam que Arthur mentiu.
 
Além disso, segundo o delegado, Arthur teria tido a intenção de matar Viviane. A polícia encontrou uma arma suspeita de ter sido usada no crime, que passa por perícia. Arthur continua preso, em Campina Grande. 
 
Por Luana Almeida*, G1 PB
 

Segundo o delegado Ilamilto, são muitas as ocorrências de feminicídios nos últimos anos. Para o delegado, se trata de uma questão cultural.

"A sociedade é machista, estamos em um ciclo vicioso. A maioria dos casos acontecem porque o homem tem a mulher como um objeto, quando ela rompe o relacionamento, eles não aceitam e cometem o crime. Eles [os homens] olham a mulher como sub-pessoa, sub-humana, apesar de estarmos no Século 21. Passamos por um momento muito complicado na sociedade, de preconceito, machismo, de perpetuação da violência", contou.

 

Por Luana Almeida*, G1 PB

"A sociedade é machista, estamos em um ciclo vicioso. A maioria dos casos acontecem porque o homem tem a mulher como um objeto, quando ela rompe o relacionamento, eles não aceitam e cometem o crime. Eles [os homens] olham a mulher como sub-pessoa, sub-humana, apesar de estarmos no Século 21. Passamos por um momento muito complicado na sociedade, de preconceito, machismo, de perpetuação da violência", contou.
 
 
Por Luana Almeida*, G1 PB
 



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