Colunista Nelcimar Rodrigues

  • PEC O assunto do momento

    03/11/2016

    Essa expressão “Proposta de Emenda Constitucional”, vulgo “PEC”, nunca antes foi tão comentada no Brasil, como agora.

    Mas o que é uma Proposta de Emenda Constitucional?

    Quando a Presidência da República tem alguma ideia, que vai impactar na vida dos brasileiros, ela submete à aprovação do Congresso Nacional um conjunto de ações, que se aprovadas, entrarão em vigor a partir do ano seguinte.

    O Brasil vive um momento de grande efervescência política, o que torna qualquer alteração constitucional, em um ponto bastante crítico e que merece total atenção por parte da população.

    Muita gente não consegue mensurar a importância da discussão de uma Proposta de Emenda Constitucional e acaba se alienando ou servindo de mero repetidor de palavras, que acaba escutando na televisão.

    Além dos 3 poderes oficiais que a Democracia nos oferece, Executivo, Legislativo e Judiciário, o 4º poder “oficioso” chamado de “Mídia” (Rádio, TV, Jornal, Internet), exerce um importante papel na construção da opinião pública. É aí que está um grande problema para a população brasileira!

    Infelizmente, culturalmente, não temos o hábito de ler, nem tão pouco de buscar alternativas de informação, para que a construção da nossa opinião possa captar a manifestação de diversos pensamentos, e dessa forma, montarmos o nosso senso crítico. Na maioria das vezes, nossa única fonte de informação é daquele “bonitão”, que se separou recentemente da mulher que faz propaganda de linguiças, e que aparece antes da novela...

    A pergunta é: será que aquela informação dada por aquele telejornal é a única disponível?

    Voltando ainda para 4º Poder (Mídia), será que a maioria das pessoas sabem, que os meios de comunicação estão nas mãos de pouquíssimas famílias e se elas detêm esses meios, evidentemente, elas vão construir as argumentações necessárias para garantir os seus privilégios e não os do povo brasileiro?

    Portanto, todos nós precisamos estar atentos a qualquer alteração na Constituição Federal, fazendo o acompanhamento dos nossos deputados e senadores, que estão no Congresso e que estão lá a serviço do povo, e não em benefício próprio. Mas isso dá trabalho, exige sair da zona de conforto, obriga-nos a ler mais, buscar outras fontes de alternativa de notícia, ou seja, faz com que a gente exerça o nosso papel de cidadão.

    Com o exposto acima, qual a sua opinião sobre a PEC 241? Você já leu a Proposta de Emenda Constitucional 241, que todo mundo está falando, mas pouca gente sabe o que de fato vai gerar de consequência? Quais são as suas fontes de informação? Você gosta de ler? Você discute essas questões com a sua família ou passa horas no Whatsapp repassando informação inútil para os seus grupos?

    Vamos refletir sobre o que está acontecendo no Brasil e construir a nossa opinião crítica!

     

    Nelcimar Rodrigues dos Santos  

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  • A quem pertencem as cores?

    26/04/2016

    Temos na natureza inúmeros exemplos da exuberância das cores. O que dizer quando percebemos a presença de um lindo arco-íris ou o céu azul do sertão brasileiro?

    Ultimamente, verificamos a apropriação de certos grupos sobre as cores.

    Os ânimos no país estão tão acirrados, que se uma pessoa utilizar uma roupa de alguma cor, associada a um determinado grupo social ou político, pode sofrer alguma agressão física ou verbal.

    Isso ilustra no que a intolerância e a falta de respeito podem transformar o comportamento nas relações humanas.

    A cor da pele, para algumas pessoas, ainda nos dias de hoje, é fator de definição de caráter ou objeto de diferenciação.

    Vamos imaginar que a vida fosse sem cores. Que graça teria? Ou se por acaso, tivéssemos que excluir a cor verde? Imaginem as folhas das árvores com uma outra cor ou sem cor nenhuma? E se a gente eliminasse a cor branca? Ou quem sabe o vermelho... Como ficariam as rosas, a pimenta, o morango, tomate e o que dizer das lingeries?

    Em época de eleição, essa atitude de usurpar as cores do mundo fica mais nítida. Se o partido que adota o marrom como cor símbolo disputar uma eleição com o outro partido, que usa o cinza como sua cor de identificação, ai de alguém vestido de marrom, passar por uma região onde se tenham apenas eleitores do cinza. Mesmo que a pessoa tenha colocado aquela roupa marrom, apenas porque era a última peça limpa em seu guarda-roupa, está arriscado esse indivíduo sofrer algum tipo de retaliação.

    Seja lá qual for a cor de sua preferência, ela não é sua propriedade, pois ela é do mundo, da natureza e está aí para ser admirada. É inadmissível que uma pessoa não possa utilizar uma peça de roupa, seja com qual cor for, por causa de um momento político ou disputa eleitoral.

    As cores pertencem à natureza e são democráticas, ou seja, todos têm o direito de usá-las sem qualquer tipo de constrangimento.

    Viva a Natureza com todas as suas cores!

    Viva a Democracia!

    Nelcimar Rodrigues dos Santos  

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  • O desempregado

    05/10/2015

    De repente a notícia: “...vamos efetuar o seu desligamento..!”

    Na hora, ainda movido pelo sentimento de certeza, que você tem a razão e está certo que a sua opinião é a correta, um certo ar de coragem aliada a uma respirada bem funda, faz-se presente.

    A primeira decisão vem à tona. Falar ou não para a sua rede de relacionamentos? Já que a notícia vai se espalhar mesmo, é melhor que ela saia da sua boca.

    Surpresa, indignação, revolta, alívio, medo do futuro, incerteza, essas são reações presentes quando a notícia foi dada, principalmente, quando a sua equipe direta toma conhecimento da desconcertante informação.

    Um dos momentos difíceis é o reencontro com os colegas de trabalho. Você é olhado de forma diferente. As pessoas ficam vendo a sua reação, o seu olhar, o jeito como você fala, o modo como você se comporta mediante uma situação, na qual poucos acreditavam que aquilo estivesse acontecendo.

    Quando você trabalha por muitos anos em uma empresa, o seu sobrenome se confunde com o nome da empresa, então muitos lhe associam àquela organização.

    Uma das coisas marcantes que aflora é a solidariedade! Algumas vezes, ela se manifesta de onde você menos espera. A vida nos coloca ao lado da adversidade para a vivência de experiência profunda, como perceber o quanto a pessoa é valorizada, admirada e querida. Parece contraditório, mas a dinâmica é essa. Você se sente importante na vida de pessoas pelo qual no dia a dia, você nem tinha tanta aproximação, mas a situação revelou esse fato importante.

    Depois dos abraços apertados de carinho e afeto, depois das emocionantes homenagens de reconhecimento por tantos anos dedicados a um projeto profissional, vem o momento da despedida.

    Encerrar um ciclo. Sair pela porta daquele lugar e saber que no dia seguinte, você não vai mais voltar na mesma condição de antes...difícil!

    Não há como não chorar! Mas a vida segue!

    O primeiro impacto que se sente é a diminuição do número de e-mails recebidos. Quem trabalha no mundo corporativo, sabe que a carga de mensagens eletrônicas que se recebe é uma coisa impressionante! O telefone começa a se calar, até porque você não tem mais aquele número, que era da empresa, logo, aquela agenda profissional ainda não conhece o seu novo contato.

    O melhor dia para um desempregado é a Segunda-Feira!!!  Esse dia representa a esperança renovada! É o início da semana, que pode ser A SEMANA da recolocação! Mesmo estando nublado, o dia parece incrível, pois pode ser naquele dia, naquela semana que começa na segunda-feira, que a boa notícia acontecerá!

    O pior dia da semana para um desempregado é a sexta-feira. Passadas a segunda, terça, quarta, quinta... chega a sexta. Se não aconteceu nada nesse período, é porque a boa notícia não chegou. Isso significa passar mais um final de semana, sem ter a certeza do que acontecerá na próxima segunda-feira.

    Mas é preciso continuar caminhando. Verificar o lado prático das coisas e uma delas é dar entrada no Seguro Desemprego. Você ainda pensa: “...vou conseguir a proeza de não precisar usar esse benefício. Vou me recolocar!” Passam-se os dias e a notícia não vem, logo, o jeito é usufruir deste direito, afinal, duas coisas que o desempregado tem a certeza é que o salário não vai chegar, contudo, as faturas sim!

    Rumo ao seguro. São vinte senhas diárias. Na fila, pessoas de todas as idades. Olhares de esperança, angústia, dispersos, dedos nos celulares. Como um país feito o Brasil, com tantas oportunidades consegue gerar tanto desemprego? Tema para outro artigo...

    Nesse período afastado do mercado de trabalho, depois de vários anos de muita dedicação, há espaço para fazer aquelas coisas que sempre faltava tempo na época da agenda lotada. Cuidar da saúde, fazer exercício, entrar naquela dieta, que faz bem ao corpo e ao bolso! Ler livros interessantes e cuidar do espírito. Ter fé é fundamental para viver essa experiência com equilíbrio mental.

    Na vida tudo passa. Bons e maus momentos. O que levamos dessa vida são as coisas boas que fazemos, as amizades formadas, o legado construído e a certeza de que o dia sempre vai recomeçar! 

    Cada momento tem um aprendizado, um motivo para estar acontecendo, então, precisamos continuar firmes na esperança de que sempre haverá um novo dia nascendo e estar preparados para receber a Boa Notícia!  

    Nelcimar Rodrigues dos Santos  

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