Colunista Jofre Garcia

  • Dos Sonhos Despedaçados a Fé Renovada

    31/12/2017

    “Então lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo que os profetas disseram”

      Lucas 24.25


                    Muitas vezes nos sentimos como os discípulos a caminho de Emaús: cansados e frustrados. Decepcionados com Deus! Sentindo que nossas esperanças e sonhos foram despedaçados. Mas, quando buscamos a razão desse sentimento, vamos encontrar como o agente causador a mania de colocarmos os valores de Deus de acordo com os nossos desejos e expectativas pessoais e egoístas.

                    O resultado dessa frenética construção (des) humana é o homem do estresse. Que não consegue digerir uma resposta negativa. Não enxerga a derrota como elemento pedagógico de aprendizado, e que não quer receber, nem mesmo de Deus, outra coisa que não seja sua vitória e triunfo. Este homem está sempre no centro das atenções, tudo gira em torno dele e já não lembra que em todas as coisas existe um projeto divino e é esse plano que o Criador segue. Quanto a nós, devemos está conectados nele para o nosso bem emocional, vivencial e espiritual.

                    Os discípulos que seguiam para Emaús foram testemunhas de muitos dos feitos, ensinos e palavras poderosas de Jesus. Eles criam no Messias, no Emanuel prometido (Isaias 7.14), no Profeta predito por Moisés (Deuteronômio 18.15), que se manifestaria no tempo do Reino de Deus (Isaias 9.7). Eles viram em Cristo as características que o credenciava como o tal, no entanto, eles processavam todos os acontecimentos e expectativas messiânicas de acordo com as suas próprias expectativas, acrescidas do ufanismo exacerbado dos israelitas. Por isso, a morte de Jesus na cruz pareceu-lhes o fim de tudo, uma frustração sem tamanho, um sonho despedaçado.

                    Até que o próprio Cristo socorre-os na solidão daquela estrada e com uma amorosa repreensão demonstra nas Sagradas Escrituras que tudo o que lhe havia acontecido atendia às exigências do Pai, já descritas e profetizadas em pormenores (Lucas 24.24-27). O resultado desse encontro foi a compreensão real de toda a história processando-a de acordo com a vontade de Deus e não do homem, sossegando o coração e renovando a fé, a esperança e o amor daqueles irmãos (Lucas 24.32).

                    Portanto, quando o nosso relacionamento com Deus é baseado nos seus propósitos e direcionamos nossa vida para cumpri-los, saberemos perceber que mesmo os aparentes fracassos serão transformados em retumbantes triunfos. E mesmo quando a estrada for árida, sinuosa e torturante, Ele, que é O Caminho nos socorrerá fazendo-nos ver seus planos perfeitos e restaurando nossas forças assim como a águia se renova (Isaias 40.31).

                    Em Cristo, na Fé e no Caminho.  

    Jofre Garcia Luna 

    Bacharel em Teologia Sistemática - FATEN (Faculdade Integrada de Teologia) 

    Pós-Graduação em Ciência da Religião - FATEN 

    E-mail: presbiterojofre@gmail.com

  • O PROBLEMA QUE SÓ DEUS PODE RESOLVER

    09/11/2017

    (É necessário ler Marcos 2.1-11)

                Quando os quatro amigos decidiram levar o paralítico, numa maca, até a casa onde Jesus estava na esperança de fé que Ele resolvesse aquele problema não imaginavam o quanto receberiam de Deus e o quanto seria revelado sobre o que é, de fato, o grande problema da humanidade, e quem, de fato, pode solucioná-no.

                Do ponto de vista humano o problema era uma enfermidade física, uma contingência de movimentos e causa de dependências. Chegar até o Cristo era outra dificuldade, pois a multidão dos caça-cristos é sempre enorme ao ponto de dificultar e inibir a busca pelo Deus que concede graça de graça.  A religiosidade geográfica impedia a percepção da onipresença de Deus, que torna qualquer terra santa, qualquer água benta, qualquer pão sagrado.

    Na mente, no coração, na alma deles era preciso chegar lá, não podiam, ainda, raciocinar que Jesus já estava com eles.

                Num gesto de fraternidade sem igual, aqueles amigos rompem a barreira dos obstáculos subindo no teto da casa, destelhando-a e fazendo descer a maca com o paralítico bem no local onde o Mestre estava ensinando.

                Surpresa e silêncio.

    O eclético público de Cristo tinham os olhos fitos n’Ele. E, Ele revela algo bem mais profundo que nossas dores de existir:

                - Filho, os teus pecados estão perdoados.

                Ali também estavam presentes fariseus e doutores da Lei, especialistas no exame escriturístico das Sagradas Escrituras, que sentiram até um frio na espinha com a frase de Jesus.

                - Ora, isto é blasfêmia! Só Deus pode perdoar pecados.

                E eles estavam com a razão. De fato, esse é o verdadeiro problema do homem, o pecado. Todos os outros problemas são exteriores, mesmo aqueles psicológicos interiores são de certa forma, perceptíveis, mas o pecado como causa motora da separação entre a criação e o Criador, passa imperceptível pela maioria dos homens. É necessário que o Deus Criador tome a iniciativa, pois esse é um problema que nenhuma Igreja resolve, nenhuma política resolve, nenhuma barganha resolve, nenhum jeitinho brasileiro resolve; só Deus pode resolver.

                O texto presente nos três Evangelhos sinóticos transparece onipotência e onipresença de Cristo Jesus. Ele sabe o pensamento dos fariseus e doutores da lei, então, os desafia:

                - O que é mais fácil dizer a um paralítico? Os teus pecados estão perdoados ou levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa? Para que saibais que o Filho do Homem, tem na terra poder para perdoar pecados – disse ao paralítico – levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.

    E o paralítico levantou, pegou o leito e foi para casa, e todos se admiraram.

                O que nos passa despercebido é que essa parte é que foi a mais fácil. O verdadeiro milagre transcendente era o perdão dos pecados, a salvação, frutos da Graça de Deus em Cristo Jesus, solucionando, assim, o problema do homem. Somente Deus podia fazer isso, e Ele fez, porque Jesus e Deus são um só. Para provar isso, ele fez o paralítico andar, mas, a paralisia espiritual já havia sido curada.

                Quando vamos de encontro a Cristo três conseqüências acontece em nossa existência.

                A primeira é descobrir quem Ele é: Deus Vivo e Verdadeiro, Onipresente, Onisciente e onipotente.

                A outra conseqüência e descobrir o que Ele faz: perdoa, resgata e salva.

                Por fim, a terceira conseqüência é a nossa reação: crer para vida, ou tornar-se um pavoroso incrédulo, como aconteceu em Cafarnaum, mesmo sendo testemunha de grandes e inúmeros milagres, preferiu descrer, recebendo a condenação do Mestre: Haverá menos rigor para Gomorra do que para ti.

                Em Cristo, em quem somos feitos filhos de Deus.

     

    Jofre Garcia Luna 

    Bacharel em Teologia Sistemática - FATEN (Faculdade Integrada de Teologia) 

    Pós-Graduação em Ciência da Religião - FATEN 

    E-mail: presbiterojofre@gmail.com

     

  • "Fé Que Pensa, Razão Que Crê"

    31/08/2017

    Deus nos convida a pensar.

    Você já pensou nisso?

    As páginas da Bíblia é um verdadeiro desafio que nos conduz a uma fé transcendental, porém racional, que não descarta o sobrenatural nem despreza os fenômenos que não encontram explicação plausível em nossa dimensão de conhecimento, mas que, no entanto, nunca trata o culto ao Deus – Criador reduzido a um espetáculo de crendices medievais e bizarras superstições, frutos da ignorância e do misticismo tão imperiosos na alma caída do homem.

    Ao contrário do que muitos imaginam, na Palavra de Deus, se encontra a mais harmoniosa filosofia prática da história da humanidade. Nela, não há espaço para ambigüidades teóricas nem tão pouco para asseveradas discussões acadêmicas que servem apenas para massagear o ego dos intelectuais. Em sua leitura somos confrontados com as nossas arrogâncias existenciais e, então, os nossos saberes absolutos se desfazem como a poeira que é arrastada pela brisa vespertina.

    Deus nos convida a pensar...

    Ao contrário do que muitos imaginam a Palavra de Deus não embrutece, não emburrece, não idiotiza e, muito menos não aliena ninguém. Todas as monstruosidades e esquisitices que temos testemunhado em “nome de Deus”, não condizem com os princípios e ensinos de Cristo no Livro Santo, mas de homens que para explorar o próximo e saciar a sua sede de poder, abençoa a ignorância das massas e estimulam uma religiosidade esdrúxula, pomposa e desesperadamente imediatista.

    Deus nos convida a pensar...

    Não apenas ler.

    Ler é o começo.

    Pensar é necessário.

    Leia...pense...leia...estude...viva!

    Quando nos lançamos na maravilhosa experiência de conhecermos o maior de todos os livros rompemos as fronteiras escravizantes dos nossos conceitos, preceitos e pré-conceitos. O simplório achará sabedoria e será apontado por mestre. O filósofo encontrará a si mesmo e o sentido do seu existir fará brotar em seu coração / espírito, o amor, a fé e a esperança.

    Deus nos convida a pensar...

    Nada é simplista ou casuísta. Há sempre uma parábola profunda, uma hipérbole, um tipo, um antítipo, um paralelismo a ser compreendido. Precisamos mergulhar nas águas límpidas e restauradoras da Palavra do PAI.

    Mas preste atenção!

    A Palavra é do PAI!

    E sendo do PAI nos remete ao FILHO, nos remete a cruz, nos remete a GRAÇA. Imarcescível Graça, incorruptível Graça, incomparável Graça, inegociável Graça de Deus em Cristo Jesus.

    Irresistível Graça.

    Leia...pense...estude...Não com óculos da filosofia pedante e ineficaz dos homens, nem com a ótica das pseudo-teologias doentias que transforma a ardente fé racional da Bíblia em mantras, grunhidos e especulações espirituais. Deus não nos aliena, mas nos chama a um exercício racional que nos permitirá conhecer a sua boa, perfeita e agradável vontade.

    Não apenas leia, mas pense, raciocine, estude, para que possa você por você com o auxílio do Espírito viver não somente o Deus Transcendente, mas o Deus totalmente inerente, pelo qual a nossa alma clama e grita e chama:

    Deus – ABA; Deus – Rafá; Deus – Nissi; Deus – Jirê; Deus – Shalom.

    Deus nos convida...

    ...ler...pensar...VIVER!

    N’Ele que vive e reina para sempre, Jesus!

    P.S: Artigo escrito em 2008, mas, bastante atual. Nele, tomei por empréstimo do lema da ABUB (Associação Bíblica Universitária do Brasil) para usar como título.  

    Jofre Garcia Luna 

    Bacharel em Teologia Sistemática - FATEN (Faculdade Integrada de Teologia) 

    Pós-Graduação em Ciência da Religião - FATEN 

    E-mail: presbiterojofre@gmail.com

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