Colunista Jofre Garcia

  • "F Que Pensa, Razo Que Cr"

    31/08/2017

    Deus nos convida a pensar.

    Você já pensou nisso?

    As páginas da Bíblia é um verdadeiro desafio que nos conduz a uma fé transcendental, porém racional, que não descarta o sobrenatural nem despreza os fenômenos que não encontram explicação plausível em nossa dimensão de conhecimento, mas que, no entanto, nunca trata o culto ao Deus – Criador reduzido a um espetáculo de crendices medievais e bizarras superstições, frutos da ignorância e do misticismo tão imperiosos na alma caída do homem.

    Ao contrário do que muitos imaginam, na Palavra de Deus, se encontra a mais harmoniosa filosofia prática da história da humanidade. Nela, não há espaço para ambigüidades teóricas nem tão pouco para asseveradas discussões acadêmicas que servem apenas para massagear o ego dos intelectuais. Em sua leitura somos confrontados com as nossas arrogâncias existenciais e, então, os nossos saberes absolutos se desfazem como a poeira que é arrastada pela brisa vespertina.

    Deus nos convida a pensar...

    Ao contrário do que muitos imaginam a Palavra de Deus não embrutece, não emburrece, não idiotiza e, muito menos não aliena ninguém. Todas as monstruosidades e esquisitices que temos testemunhado em “nome de Deus”, não condizem com os princípios e ensinos de Cristo no Livro Santo, mas de homens que para explorar o próximo e saciar a sua sede de poder, abençoa a ignorância das massas e estimulam uma religiosidade esdrúxula, pomposa e desesperadamente imediatista.

    Deus nos convida a pensar...

    Não apenas ler.

    Ler é o começo.

    Pensar é necessário.

    Leia...pense...leia...estude...viva!

    Quando nos lançamos na maravilhosa experiência de conhecermos o maior de todos os livros rompemos as fronteiras escravizantes dos nossos conceitos, preceitos e pré-conceitos. O simplório achará sabedoria e será apontado por mestre. O filósofo encontrará a si mesmo e o sentido do seu existir fará brotar em seu coração / espírito, o amor, a fé e a esperança.

    Deus nos convida a pensar...

    Nada é simplista ou casuísta. Há sempre uma parábola profunda, uma hipérbole, um tipo, um antítipo, um paralelismo a ser compreendido. Precisamos mergulhar nas águas límpidas e restauradoras da Palavra do PAI.

    Mas preste atenção!

    A Palavra é do PAI!

    E sendo do PAI nos remete ao FILHO, nos remete a cruz, nos remete a GRAÇA. Imarcescível Graça, incorruptível Graça, incomparável Graça, inegociável Graça de Deus em Cristo Jesus.

    Irresistível Graça.

    Leia...pense...estude...Não com óculos da filosofia pedante e ineficaz dos homens, nem com a ótica das pseudo-teologias doentias que transforma a ardente fé racional da Bíblia em mantras, grunhidos e especulações espirituais. Deus não nos aliena, mas nos chama a um exercício racional que nos permitirá conhecer a sua boa, perfeita e agradável vontade.

    Não apenas leia, mas pense, raciocine, estude, para que possa você por você com o auxílio do Espírito viver não somente o Deus Transcendente, mas o Deus totalmente inerente, pelo qual a nossa alma clama e grita e chama:

    Deus – ABA; Deus – Rafá; Deus – Nissi; Deus – Jirê; Deus – Shalom.

    Deus nos convida...

    ...ler...pensar...VIVER!

    N’Ele que vive e reina para sempre, Jesus!

    P.S: Artigo escrito em 2008, mas, bastante atual. Nele, tomei por empréstimo do lema da ABUB (Associação Bíblica Universitária do Brasil) para usar como título.  

    Jofre Garcia Luna 

    Bacharel em Teologia Sistemática - FATEN (Faculdade Integrada de Teologia) 

    Pós-Graduação em Ciência da Religião - FATEN 

    E-mail: [email protected]

  • PATERNIDADE, UM MINISTRIO DIVINO

    13/08/2016

    “Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos”

    (Provérbios 23.26)

    Com a proximidade do “Dia dos Pais” nossa sociedade de consumo entra mais uma vez nessa atmosfera que mistura comércio e emoção familiar, e nossos entes queridos são transformados em instrumentalidade para promover o aumento das vendas. Há quem diga que o dia dos pais foi criado para se vender gravatas, imagine!

    Ser pai é muito mais que simplesmente ser um macho da espécie e cumprir sua parte na tarefa de reprodução e provimento da prole. Não somos seres meramente irracionais agindo por meio de instintos naturais. Somos, até, muito mais do que seres racionais, pois se prevalecer essa ideia da razão pura e simples nossa compreensão da vida e da morte será apenas uma questão matemática ou uma mera probabilidade. Somos seres espirituais, criados a imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1.26-27), possuindo o mandato espiritual para tornar este mundo o lugar de relacionamento da criatura com o seu Criador.

    Ser pai é um ministério divino, pois o pai é o sacerdote do lar, é dele, juntamente com a mãe, a responsabilidade de ensinar aos filhos o caminho do Senhor, como diz as Escrituras:

    “Ensina a criança o caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Provérbios 22.6).

     O pai é sempre o espelho para o seu filho, todo filho procura imitar o pai e suas ações e ensinos ficam gravadas no córtex dos filhos para toda a vida. Nosso pai deve ser eternamente o grande herói de nossa vida, mas, infelizmente, por causa da queda (pecado) e pela inconsequência de cada um a figura do pai tem experimentado uma desvalorização extrema, e as marcas sociais desse fracasso familiar tem sido trágico para a nossa sociedade.

    Infelizmente, vemos hoje, histórias tremendamente tristes e perturbadores de pais que violentam suas filhas e filhos, seja sexualmente ou de outras formas de violência que causam profundos dramas no seio familiar. Há aquele pai que descumprindo a sua função de amar e proteger a esposa; espanca sua companheira tanto fisicamente ou com palavras que a fazem sangrar. Há o pai que absurdamente ignora os filhos, não sabe nem mesmo o ano escolar em que estão, quais são seus planos, sonhos ou tristezas. É como se vivessem em mundos diferentes. Tem também aquele pai que abandona a família em busca do prazer egoísta e perverso que o mundo oferece, e depois, com sua habitual mania de inverter valores diz poeticamente que “foi em busca da sua felicidade” não importando o quanto de infelicidade causou. Tem ainda, aquele pai se envereda pelo caminho dos vícios e atrai rodo tipo de desgraça para sua família, provocando tragédias e profundo pesar.

    Mas, também, tem muito pai legal!

    Aos montes!

    Há aquele pai que compreende o sentido do ministério paterno e produz frutos de alegria na vida de seus filhos. Há aquele pai que é nossa referência de vida e pelo qual pautamos nossa construção familiar. Há aquele pai que nos agasalham no carinho de seu afeto e amor, aquele cuja voz é um conforto e consolo nesse mundo perverso.

    Há aquele pai que torce conosco, mesmo sem gostar de futebol.

    Há o pai que cresce junto, chorando, rindo, caindo da bicicleta, chutado fora do gol, desafinado, desajeitado, mas... que não o trocamos nem mesmo por todos os super-heróis do cinema juntos.

    Independente de que tipo de pai nós tenhamos a Palavra de Deus tem uma exortação que dita nosso relacionamento: “Honra teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa)”(Efésios 6.2). Por isso, mesmo com feridas traumáticas, mesmo com ausências e abandonos, mesmo que nosso pai não tenha sido o herói em nossa vida, a Palavra do Senhor nos orienta que a vontade de Deus é que devemos honrá-lo; e honrá-lo é sermos o homem, o cidadão, o marido e o pai que ele não se teve.

    Então, devemos efetivar a eficácia do perdão em nosso coração, ação primeira para que possamos honrá-lo. Não devemos permitir que nenhuma mágoa ou rancor gere raiz de amargura em nosso espírito.

    E quanto nós, que somos pais alguns princípios para o ministério paterno:

    1.       Jamais negligenciar a responsabilidade de ministrar o ensino das Escrituras em minha casa (Provérbios 22.6), e dosar a disciplina com amor no temor do Senhor (Efésios 6.4);

    2.      Ser um exemplo de conduta e honestidade de modo que a nossa família receba as bênçãos destinadas aos que praticam a Palavra (Salmos 128.1-6);

    3.      Que o nosso relacionamento com os nossos sejam moldados no Senhor pela Palavra de tal modo que possamos ser a segurança e confiança em nossa família, assim como Jesus confiava no PAI (Lucas 23.46);

                As últimas palavras de Jesus na cruz incluíam a expressão ABA, que geralmente eram as primeiras palavras das crianças, quando ainda bebês. Era um balbuciar quase inteligível, mas, que era destinada a figura paterna. Mesmo que ela ainda não tivesse noção ou plena consciência de quem fosse àquela figura, sabia que nela havia refúgio, proteção, cuidado, carinho e aconchego. Estando em seus braços calava e se aquietava porque estava seguro.

    Desse modo é surpreendente que Jesus se refere a Deus como seu ABA, pois para Ele (Deus), Cristo ou mesmo nós não somos mais crianças destituídas de razão, mesmo assim o PAI mantém todo o amor e cuidado em nós, como quem cuida, com toda a atenção dos pequeninos.

    Nosso Pai (Deus) é assim.

    Que tipo de pai nós temos sido?

    Que tipo de presença construímos em nossa família?

    Que tipo de exemplo somos para os nossos?

    Que marcas deixaremos em sua vida?

    Nesse dia dos pais possamos fazer uma profunda reflexão para honrar o nosso pai, o que foram e o que significam para nós e como devemos nos relacionar com ele, de acordo com a Palavra de Deus. E, também, refletir em nosso ministério paternal e exercê-lo edificando nossa família para a glória de Deus.

    Feliz dia dos pais!

    N’Ele, nosso ABA, PAI. 

    Jofre Garcia Luna

     

    Teologia pela FATEN (Faculdade Integrada de Teologia)

    Teologia Sistemática pelo IBBB (Instituto Bíblico Betel Brasileiro)

    Pós-Graduação em Ciência da Religião - FATEN

    Graduando em Direito – UEPB

    Radialista Profissional – STERT -PB

    Presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil – Guarabira - PB

    Servindo como Pastor na Igreja Presbiteriana de Solânea – PB

    Secretário do CONPLESOL – (Conselho de Pastores e Líderes Evangélicos de Solânea)

    E-mail: [email protected] 

  • O QUE SER EVANGLICO?

    14/07/2016

    “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”.

     (1Pedro 2.9)

     

    No início da Reforma Protestante, aqueles que participaram ativamente do movimento foram chamados de “evangélicos” antes mesmo de receberem a alcunha de “protestantes”.  Isto se deu por causa do conteúdo de sua mensagem ser centrada na Bíblia, ou como preferiam mencionavam-na de Evangelho!

    Evangélico, então, era todo aquele que primava pela mensagem bíblica autêntica, recusando as invenções humanas, as tradições populares e os dogmas religiosos nascidos dos concílios e especulações teológicas.

    Com o passar do tempo, novas nomenclaturas foram sendo criadas para identificar aquele movimento que promovia a quebra do monopólio da religião no ocidente europeu: protestantes, huguenotes, reformados, anglicanos, independentes, puritanos, foram alguns dos rótulos criados. Geralmente, tais designações tinham origem depreciativa que eram impostas aos revolucionários da fé. Afinal, eles haviam desafiado o poder da religião dominante e o amalgama igreja-estado reinante empenhando para isso a própria vida.

    Evangélico, então, era todo aquele que corajosamente, mesmo em face da morte testemunhava da salvação por meio exclusivo de Jesus Cristo, conforme o Evangelho-Bíblia claramente expunha em detrimento aos esquemas de barganhas religiosas e as compras de favores divinos por meio do vil metal.

    No decorrer dos séculos, após os avivamentos e o grande esforço missionário, o movimento evangélico alcançou os quatro cantos do globo terrestre. Na América Latina, principalmente no Brasil, receberam a alcunha de “crentes”. Ora, sendo esta a mais simpática alusão a sua fé, pois há quem lhes cognominava de “bodes” e até “sapos”. O apego a Bíblia, a frequência na dinâmica das igrejas e o profundo aspecto moralista de seu viver social lhes valeram ridicularizações, mas também, admiração e respeito (é claro que estou evitando as exceções).

    Evangélico, então, era todo aquele que se dispunha a seguir o padrão de fé, de comunidade e de ética social conforme as Escrituras Sagradas (O Evangelho) prescreviam. Mesmo que tal escolha o expusesse a situações de humilhações e constrangimentos. Seguir e servir a Cristo compensava qualquer perseguição, sendo até mesmo honroso e glorioso, porque Jesus é o sentido de sua vida.

    A pós-modernidade, o consumismo, o individualismo exacerbado e o misticismo crescente também atingiram os evangélicos, principalmente na ultima metade do século XX e de maneira espantosa no início do século XXI. Movimentos sincréticos assolam a Igreja Evangélica brasileira e dominam as mídias mais consumidas pela população, o resultado disso tudo: um show de horrores em nome de Jesus. Sem compromisso com as Sagradas Escrituras, aliás, deturpando-a aos interesses comerciais e conquistas financeiras, a mensagem evangélica do porvir foi transformada numa frenética busca por prosperidade temporal: O céu é aqui!

    Evangélico, então, passou a ser qualquer um, sem significado, sem compromisso doutrinário, sem domínio das Escrituras, sem preocupação com a ética social, sem ter sede e fome de justiça, em fim, sem transformação verdadeira e sem novo nascimento. Porém, eficiente em gesticulações teatrais, preciso nas repetições pedantes das frases de efeito para convencimento dos incautos e extremamente criativo nos espetáculos dantescos e circenses de idiotização da fé.

    É preciso um resgate, não apenas do significado do termo, mas da própria essência do que é ser um evangélico. Rejeitar a exploração da fé, as distorções teológicas, o uso premeditadamente casuísta de recortes dos textos bíblicos e anunciar verdadeiramente o Evangelho de Deus: Jesus Cristo!

    Evangélico, então, é aquele que tem consciência de ser um perdido pecador, morto em delitos e pecado, mas que recebe de Deus, através de Cristo, a vida eterna (Romanos 6.23; Efésio 2.1).

    Evangélico, então, é aquele que tem convicção de pertença, sabe que não está largado numa existência vazia e sem sentido, pois faz parte da família de Deus, por adoção, em Cristo Jesus, não vivendo mais para si mesmo para aqu’Ele que o conquistou (Romanos 8.31-39; Efésios 1.5; Filipenses 3.12-14).

    Evangélico, então, é aquele que compreende que sua pátria celeste lhe move a viver de forma digna dos servos do Rei, conduz sua rotina diária como um modo de proclamação do Evangelho e cuja adoração é um estilo de vida, em espírito e em verdade, e não apenas um momento musical de um culto (Filipenses 1.27-30; Hebreus 11.16; João 4.24).

    Evangélico, então, é aquele a quem é desvendado o significado de João 3.16:

    Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

     

    Em Cristo, que nos transporta das trevas para sua maravilhosa luz.

     

    Jofre Garcia Luna

     

    Teologia pela FATEN (Faculdade Integrada de Teologia)

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