Colunista Jofre Garcia

  • O PROBLEMA QUE S DEUS PODE RESOLVER

    09/11/2017

    (É necessário ler Marcos 2.1-11)

                Quando os quatro amigos decidiram levar o paralítico, numa maca, até a casa onde Jesus estava na esperança de fé que Ele resolvesse aquele problema não imaginavam o quanto receberiam de Deus e o quanto seria revelado sobre o que é, de fato, o grande problema da humanidade, e quem, de fato, pode solucioná-no.

                Do ponto de vista humano o problema era uma enfermidade física, uma contingência de movimentos e causa de dependências. Chegar até o Cristo era outra dificuldade, pois a multidão dos caça-cristos é sempre enorme ao ponto de dificultar e inibir a busca pelo Deus que concede graça de graça.  A religiosidade geográfica impedia a percepção da onipresença de Deus, que torna qualquer terra santa, qualquer água benta, qualquer pão sagrado.

    Na mente, no coração, na alma deles era preciso chegar lá, não podiam, ainda, raciocinar que Jesus já estava com eles.

                Num gesto de fraternidade sem igual, aqueles amigos rompem a barreira dos obstáculos subindo no teto da casa, destelhando-a e fazendo descer a maca com o paralítico bem no local onde o Mestre estava ensinando.

                Surpresa e silêncio.

    O eclético público de Cristo tinham os olhos fitos n’Ele. E, Ele revela algo bem mais profundo que nossas dores de existir:

                - Filho, os teus pecados estão perdoados.

                Ali também estavam presentes fariseus e doutores da Lei, especialistas no exame escriturístico das Sagradas Escrituras, que sentiram até um frio na espinha com a frase de Jesus.

                - Ora, isto é blasfêmia! Só Deus pode perdoar pecados.

                E eles estavam com a razão. De fato, esse é o verdadeiro problema do homem, o pecado. Todos os outros problemas são exteriores, mesmo aqueles psicológicos interiores são de certa forma, perceptíveis, mas o pecado como causa motora da separação entre a criação e o Criador, passa imperceptível pela maioria dos homens. É necessário que o Deus Criador tome a iniciativa, pois esse é um problema que nenhuma Igreja resolve, nenhuma política resolve, nenhuma barganha resolve, nenhum jeitinho brasileiro resolve; só Deus pode resolver.

                O texto presente nos três Evangelhos sinóticos transparece onipotência e onipresença de Cristo Jesus. Ele sabe o pensamento dos fariseus e doutores da lei, então, os desafia:

                - O que é mais fácil dizer a um paralítico? Os teus pecados estão perdoados ou levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa? Para que saibais que o Filho do Homem, tem na terra poder para perdoar pecados – disse ao paralítico – levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.

    E o paralítico levantou, pegou o leito e foi para casa, e todos se admiraram.

                O que nos passa despercebido é que essa parte é que foi a mais fácil. O verdadeiro milagre transcendente era o perdão dos pecados, a salvação, frutos da Graça de Deus em Cristo Jesus, solucionando, assim, o problema do homem. Somente Deus podia fazer isso, e Ele fez, porque Jesus e Deus são um só. Para provar isso, ele fez o paralítico andar, mas, a paralisia espiritual já havia sido curada.

                Quando vamos de encontro a Cristo três conseqüências acontece em nossa existência.

                A primeira é descobrir quem Ele é: Deus Vivo e Verdadeiro, Onipresente, Onisciente e onipotente.

                A outra conseqüência e descobrir o que Ele faz: perdoa, resgata e salva.

                Por fim, a terceira conseqüência é a nossa reação: crer para vida, ou tornar-se um pavoroso incrédulo, como aconteceu em Cafarnaum, mesmo sendo testemunha de grandes e inúmeros milagres, preferiu descrer, recebendo a condenação do Mestre: Haverá menos rigor para Gomorra do que para ti.

                Em Cristo, em quem somos feitos filhos de Deus.

     

    Jofre Garcia Luna 

    Bacharel em Teologia Sistemática - FATEN (Faculdade Integrada de Teologia) 

    Pós-Graduação em Ciência da Religião - FATEN 

    E-mail: presbiterojofre@gmail.com

     

  • "F Que Pensa, Razo Que Cr"

    31/08/2017

    Deus nos convida a pensar.

    Você já pensou nisso?

    As páginas da Bíblia é um verdadeiro desafio que nos conduz a uma fé transcendental, porém racional, que não descarta o sobrenatural nem despreza os fenômenos que não encontram explicação plausível em nossa dimensão de conhecimento, mas que, no entanto, nunca trata o culto ao Deus – Criador reduzido a um espetáculo de crendices medievais e bizarras superstições, frutos da ignorância e do misticismo tão imperiosos na alma caída do homem.

    Ao contrário do que muitos imaginam, na Palavra de Deus, se encontra a mais harmoniosa filosofia prática da história da humanidade. Nela, não há espaço para ambigüidades teóricas nem tão pouco para asseveradas discussões acadêmicas que servem apenas para massagear o ego dos intelectuais. Em sua leitura somos confrontados com as nossas arrogâncias existenciais e, então, os nossos saberes absolutos se desfazem como a poeira que é arrastada pela brisa vespertina.

    Deus nos convida a pensar...

    Ao contrário do que muitos imaginam a Palavra de Deus não embrutece, não emburrece, não idiotiza e, muito menos não aliena ninguém. Todas as monstruosidades e esquisitices que temos testemunhado em “nome de Deus”, não condizem com os princípios e ensinos de Cristo no Livro Santo, mas de homens que para explorar o próximo e saciar a sua sede de poder, abençoa a ignorância das massas e estimulam uma religiosidade esdrúxula, pomposa e desesperadamente imediatista.

    Deus nos convida a pensar...

    Não apenas ler.

    Ler é o começo.

    Pensar é necessário.

    Leia...pense...leia...estude...viva!

    Quando nos lançamos na maravilhosa experiência de conhecermos o maior de todos os livros rompemos as fronteiras escravizantes dos nossos conceitos, preceitos e pré-conceitos. O simplório achará sabedoria e será apontado por mestre. O filósofo encontrará a si mesmo e o sentido do seu existir fará brotar em seu coração / espírito, o amor, a fé e a esperança.

    Deus nos convida a pensar...

    Nada é simplista ou casuísta. Há sempre uma parábola profunda, uma hipérbole, um tipo, um antítipo, um paralelismo a ser compreendido. Precisamos mergulhar nas águas límpidas e restauradoras da Palavra do PAI.

    Mas preste atenção!

    A Palavra é do PAI!

    E sendo do PAI nos remete ao FILHO, nos remete a cruz, nos remete a GRAÇA. Imarcescível Graça, incorruptível Graça, incomparável Graça, inegociável Graça de Deus em Cristo Jesus.

    Irresistível Graça.

    Leia...pense...estude...Não com óculos da filosofia pedante e ineficaz dos homens, nem com a ótica das pseudo-teologias doentias que transforma a ardente fé racional da Bíblia em mantras, grunhidos e especulações espirituais. Deus não nos aliena, mas nos chama a um exercício racional que nos permitirá conhecer a sua boa, perfeita e agradável vontade.

    Não apenas leia, mas pense, raciocine, estude, para que possa você por você com o auxílio do Espírito viver não somente o Deus Transcendente, mas o Deus totalmente inerente, pelo qual a nossa alma clama e grita e chama:

    Deus – ABA; Deus – Rafá; Deus – Nissi; Deus – Jirê; Deus – Shalom.

    Deus nos convida...

    ...ler...pensar...VIVER!

    N’Ele que vive e reina para sempre, Jesus!

    P.S: Artigo escrito em 2008, mas, bastante atual. Nele, tomei por empréstimo do lema da ABUB (Associação Bíblica Universitária do Brasil) para usar como título.  

    Jofre Garcia Luna 

    Bacharel em Teologia Sistemática - FATEN (Faculdade Integrada de Teologia) 

    Pós-Graduação em Ciência da Religião - FATEN 

    E-mail: presbiterojofre@gmail.com

  • PATERNIDADE, UM MINISTRIO DIVINO

    13/08/2016

    “Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos”

    (Provérbios 23.26)

    Com a proximidade do “Dia dos Pais” nossa sociedade de consumo entra mais uma vez nessa atmosfera que mistura comércio e emoção familiar, e nossos entes queridos são transformados em instrumentalidade para promover o aumento das vendas. Há quem diga que o dia dos pais foi criado para se vender gravatas, imagine!

    Ser pai é muito mais que simplesmente ser um macho da espécie e cumprir sua parte na tarefa de reprodução e provimento da prole. Não somos seres meramente irracionais agindo por meio de instintos naturais. Somos, até, muito mais do que seres racionais, pois se prevalecer essa ideia da razão pura e simples nossa compreensão da vida e da morte será apenas uma questão matemática ou uma mera probabilidade. Somos seres espirituais, criados a imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1.26-27), possuindo o mandato espiritual para tornar este mundo o lugar de relacionamento da criatura com o seu Criador.

    Ser pai é um ministério divino, pois o pai é o sacerdote do lar, é dele, juntamente com a mãe, a responsabilidade de ensinar aos filhos o caminho do Senhor, como diz as Escrituras:

    “Ensina a criança o caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Provérbios 22.6).

     O pai é sempre o espelho para o seu filho, todo filho procura imitar o pai e suas ações e ensinos ficam gravadas no córtex dos filhos para toda a vida. Nosso pai deve ser eternamente o grande herói de nossa vida, mas, infelizmente, por causa da queda (pecado) e pela inconsequência de cada um a figura do pai tem experimentado uma desvalorização extrema, e as marcas sociais desse fracasso familiar tem sido trágico para a nossa sociedade.

    Infelizmente, vemos hoje, histórias tremendamente tristes e perturbadores de pais que violentam suas filhas e filhos, seja sexualmente ou de outras formas de violência que causam profundos dramas no seio familiar. Há aquele pai que descumprindo a sua função de amar e proteger a esposa; espanca sua companheira tanto fisicamente ou com palavras que a fazem sangrar. Há o pai que absurdamente ignora os filhos, não sabe nem mesmo o ano escolar em que estão, quais são seus planos, sonhos ou tristezas. É como se vivessem em mundos diferentes. Tem também aquele pai que abandona a família em busca do prazer egoísta e perverso que o mundo oferece, e depois, com sua habitual mania de inverter valores diz poeticamente que “foi em busca da sua felicidade” não importando o quanto de infelicidade causou. Tem ainda, aquele pai se envereda pelo caminho dos vícios e atrai rodo tipo de desgraça para sua família, provocando tragédias e profundo pesar.

    Mas, também, tem muito pai legal!

    Aos montes!

    Há aquele pai que compreende o sentido do ministério paterno e produz frutos de alegria na vida de seus filhos. Há aquele pai que é nossa referência de vida e pelo qual pautamos nossa construção familiar. Há aquele pai que nos agasalham no carinho de seu afeto e amor, aquele cuja voz é um conforto e consolo nesse mundo perverso.

    Há aquele pai que torce conosco, mesmo sem gostar de futebol.

    Há o pai que cresce junto, chorando, rindo, caindo da bicicleta, chutado fora do gol, desafinado, desajeitado, mas... que não o trocamos nem mesmo por todos os super-heróis do cinema juntos.

    Independente de que tipo de pai nós tenhamos a Palavra de Deus tem uma exortação que dita nosso relacionamento: “Honra teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa)”(Efésios 6.2). Por isso, mesmo com feridas traumáticas, mesmo com ausências e abandonos, mesmo que nosso pai não tenha sido o herói em nossa vida, a Palavra do Senhor nos orienta que a vontade de Deus é que devemos honrá-lo; e honrá-lo é sermos o homem, o cidadão, o marido e o pai que ele não se teve.

    Então, devemos efetivar a eficácia do perdão em nosso coração, ação primeira para que possamos honrá-lo. Não devemos permitir que nenhuma mágoa ou rancor gere raiz de amargura em nosso espírito.

    E quanto nós, que somos pais alguns princípios para o ministério paterno:

    1.       Jamais negligenciar a responsabilidade de ministrar o ensino das Escrituras em minha casa (Provérbios 22.6), e dosar a disciplina com amor no temor do Senhor (Efésios 6.4);

    2.      Ser um exemplo de conduta e honestidade de modo que a nossa família receba as bênçãos destinadas aos que praticam a Palavra (Salmos 128.1-6);

    3.      Que o nosso relacionamento com os nossos sejam moldados no Senhor pela Palavra de tal modo que possamos ser a segurança e confiança em nossa família, assim como Jesus confiava no PAI (Lucas 23.46);

                As últimas palavras de Jesus na cruz incluíam a expressão ABA, que geralmente eram as primeiras palavras das crianças, quando ainda bebês. Era um balbuciar quase inteligível, mas, que era destinada a figura paterna. Mesmo que ela ainda não tivesse noção ou plena consciência de quem fosse àquela figura, sabia que nela havia refúgio, proteção, cuidado, carinho e aconchego. Estando em seus braços calava e se aquietava porque estava seguro.

    Desse modo é surpreendente que Jesus se refere a Deus como seu ABA, pois para Ele (Deus), Cristo ou mesmo nós não somos mais crianças destituídas de razão, mesmo assim o PAI mantém todo o amor e cuidado em nós, como quem cuida, com toda a atenção dos pequeninos.

    Nosso Pai (Deus) é assim.

    Que tipo de pai nós temos sido?

    Que tipo de presença construímos em nossa família?

    Que tipo de exemplo somos para os nossos?

    Que marcas deixaremos em sua vida?

    Nesse dia dos pais possamos fazer uma profunda reflexão para honrar o nosso pai, o que foram e o que significam para nós e como devemos nos relacionar com ele, de acordo com a Palavra de Deus. E, também, refletir em nosso ministério paternal e exercê-lo edificando nossa família para a glória de Deus.

    Feliz dia dos pais!

    N’Ele, nosso ABA, PAI. 

    Jofre Garcia Luna

     

    Teologia pela FATEN (Faculdade Integrada de Teologia)

    Teologia Sistemática pelo IBBB (Instituto Bíblico Betel Brasileiro)

    Pós-Graduação em Ciência da Religião - FATEN

    Graduando em Direito – UEPB

    Radialista Profissional – STERT -PB

    Presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil – Guarabira - PB

    Servindo como Pastor na Igreja Presbiteriana de Solânea – PB

    Secretário do CONPLESOL – (Conselho de Pastores e Líderes Evangélicos de Solânea)

    E-mail: presbiterojofre@gmail.com 

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